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Thursday, July 1, 2010

Fico admirado quando alguém, por acaso e quase sempre
sem motivo, me diz que não sabe o que é o amor.
eu sei exactamente o que é o amor. o amor é saber
que existe uma parte de nós que deixou de nos pertencer.
o amor é saber que vamos perdoar tudo a essa parte
de nós que não é nossa. o amor é sermos fracos.
o amor é ter medo e querer morrer.

In “A Criança Em Ruínas”, José Luís Peixoto



Wednesday, June 16, 2010

Ficar assim... suspensa num arrepio que me molda.
ou escorregar... quase a cair como que levada por um sopro. ficar perdida e encontrada, solta, despreocupada. sorrir. olhar. cheirar. deitar as merdas para trás das costas e deixar... deixar... permitir... querer e adorar. desejar. sorrir.

Monday, April 5, 2010

Sentiu que o rosto dele estava cansado, desgastado pela angústia de não a ver como queria, os olhos pareciam querer olhar mais do que alguma vez olharam, nus... agarrou-lhe as maõs suadas, nuas... como se o tempo tivesse ficado por ali, o rosto transfigurado pelo cansaço...e o sol daquela manhã a atraiçoa-la, estava à espera de um dia tão tempestuoso, tão desigual...
paula

Tuesday, March 30, 2010

Um frio de morte que percorre o interior de um corpo qualquer. Os sentimentos... as conversas desfeitas e as outras acabadas de fazer... um mundo de emoções vividas num sopro. Um mundo de gente na rua acabada de fazer o que quer que seja. Um barulho de palavras desenfreadas saídas da boca desse mundo de gente. Um silêncio vindo do fundo de um entardecer ameno numa penumbra de rodopios. Um riso acabado de acontecer e os sentimentos... um olhar acabado de encontrar e o toque leve toque que se adivinha. Um desabrochar de descobertas doces e macias como aquele gesto que permanece esculpido numa memória qualquer. Um sorriso esquecido e encontrado por um acaso. Uma primavera qualquer...

paula