Thursday, November 29, 2007

Bloguiga de Aluguer ll



Um amigo mandou-me este poema,
gostei muito e resolvi publicar.
De certeza que não serei só eu a gostar!
Obrigada Paulo :)


Chamaram-me louco e só por dizer

Que as aves escolheram outro caminho

voando ao largo, como quem foge de ver

um homem na estrada, morrendo sózinho

Chamaram-me louco e só por dizer

que o som dos pássaros fugiu da alvorada

como se não magoasse este silêncio frio

dia a dia gritando uma morte esperada

Ninguém deu conta que o quarto está vazio

que o calor dos amantes fugiu para morrer

num beco sem nome de um bairro sombrio!


pp

Saturday, November 24, 2007

David F.

Há músicas que fazem e farão sempre parte de nós. Permitem-nos recordar momentos vividos, que por vezes se perdem no tempo, mas que ficam para sempre ligados àqueles acordes musicais e o que é frequente acontecer, é que mesmo depois de ultrapassados os calafrios, ao ouvirmos aquela música que marcou um momento ou um local, parece-nos que o tempo volta sempre para trás, transportando-nos para todas aquelas sensações que sentimos outrora.
Será que quando um músico escreve uma canção tem a exacta noção da implicação que isso terá nos seus ouvintes? Quantas novas paixões, vão disfrutar de longos momentos, longos beijos infinitos, ao som de uma música? Quantos arrepios e calafrios de paixão ardente se poderá sentir ao ouvir aquele som que nos recorda todos os momentos vividos?

Associar a música às vivências tidas, é uma das melhores sensações que se pode ter!

David F., eu AMO-TE, mas acabei de ler na Vogue de Novembro que és PAI!!! :-)))LOL

paula

Morre lentamente...


Morre lentamente quem não viaja,
quem nao lê,
quem não ouve música,
quem destrói o seu amor próprio,
quem não se deixa ajudar.

Morre lentamente quem se transforma escravo do hábito,
repetindo todos os dias o mesmo trajecto, quem não muda as marcas no supermercado, nao arrisca vestir uma cor nova,
não conversa com quem não conhece.

Morre lentamente quem evita uma paixão, quem prefere o "preto no branco" e os "pontos nos is",
a um turbilhão de emoções indomáveis,
justamente as que resgatam brilho nos olhos,
sorrisos e soluços, coração aos tropeços,
sentimentos.

Morre lentamente quem não vira a mesa quando está infeliz no trabalho,
quem não arrisca o certo pelo incerto atrás de um sonho,
quem não se permite, uma vez na vida, fugir dos conselhos sensatos.

Morre lentamente quem passa os dias queixando-se da má sorte ou da chuva incessante,
desistindo de um projecto antes de inicia-lo,
não perguntando sobre um assunto que desconhece e não respondendo quando lhe indagam o que sabe.

Evitemos a morte em doses suaves, recordando sempre que estar vivo exige um esforço muito maior do que o simples acto de respirar...
Estejamos vivos, então!

Pablo Neruda

Saturday, November 17, 2007

Pegadas na areia



A minha Avó Maria foi uma das pessoas mais fantásticas que conheci. Adivinhava-nos os nossos sentimentos, as angústias e tinha sempre uma forma de tentar remediar os nossos medos, ansiedades e desgostos. Lia-nos a alma, sem que dessemos por isso. Um dia, ofereceu-me um postal com um texto que hoje vou publicar aqui e que apesar de eu ser de religião, uma católica não praticante, costumo esboçar um sorriso sempre que o releio. Tenho-o guardado dentro de um livro e o engraçado, é que apesar de ser um livro de cabeceira, sou capaz de estar semanas a fio sem o abrir e nunca me lembro que o postal está por lá. Tem coincidido abri-lo em dias em que por uma razão ou por outra, me sabe bem lê-lo. Hoje foi um deles...


"Uma noite eu tive um sonho...

Sonhei que andava a passear na praia com o Senhor, e, no firmamento, passavam cenas da minha vida. Após cada cena que passava, percebi que ficavam dois pares de pegadas na areia: um era o meu e o outro era do Senhor.

Quando a última cena da minha vida passou diante de nós, olhei para trás, para as pegadas na areia.e notei que muitas vezes, no caminho da minha vida, havia apenas um par de pegadas na areia. Notei também que isso aconteceu nos momentos mais difíceis e angustiosos do meu viver. Isso aborreceu-me deveras e perguntei então ao Senhor:

-Senhor, Tu disseste-me que, uma vez que resolvi seguir-Te, Tu andarias sempre comigo, em todos os caminhos. Contudo, notei que durante as maiores tribulações do meu viver, havia apenas um par de pegadas na areia. Não compreendo porque é que, nas horas em que mais necessitava de Ti, Tu me deixaste sozinho.

O Senhor respondeu-me:

-Meu querido filho, jamais te deixaria nas horas da prova e do sofrimento. Quando viste, na areia, apenas um par de pegadas, eram as minhas. Foi exactamente aí que peguei em ti ao colo"

paula





Monday, November 12, 2007

Desde que não me lembro...


A semana passada, numa das minhas rápidas idas de final de tarde ao supermercado, uma cigana adolescente abordou-me. Estava sentada no chão e tinha no colo um embrulho de pano que fazia perceber um bébé.-"compre-me comida!" disse-me. Olhei para ela sem expressão e só decidi que compraria qualquer coisa já dentro do supermercado. Dois iogurtes líquidos e uma caixa de bolachas. Quando saí, entreguei as compras a uma mulher com um embrulho de pano igual. Ao dirigir-me para o meu carro, vi a cigana adolescente do outro lado da rua, sentada num muro de cimento e a olhar-me espectante. Fiquei para morrer... tinha-me enganado na entrega, tive imediatamente de me desculpar, ao que ela respondeu: -"Não faz mal, é a minha mãe." Nem me senti incomodada pela falta de agradecimento por parte dela, eu tinha feito bem pior...segui viagem.

Percebi que a vida de hoje é cada vez mais isto. Fazemos as coisas de uma forma tão mecanizada que nem nos apercebemos...vivemos cada vez mais "SEM"... Sem olhar, sem reparar, sem sentir. Comprei aqueles alimentos sem me preocupar se seriam realmente úteis. Os bébés não bebem iogurtes líquidos...bebem leite! Saí do supermercado e entreguei a "encomenda" a um vulto sem lhe ver o rosto ou a expressão, sem me lembrar que minutos antes, o tinha achado demasiado jovem para ostentar nos braços uma criança. A razão pela qual o fiz, foi porque sei que ainda sobra em mim, alguma sensibilidade, alguma esperança, mas acabei por o fazer sem atenção, sem preocupação. Usei o tempo que penso que tenho e que não me posso dar ao luxo de gastar, nem que fosse só para pensar num pormenor. Simplesmente o fiz...

Mas... se realmente a vida de hoje é isto, se agora sou isto, o que foi que aconteceu? desde quando sou assim? Desde que não me lembro...e fiquei a pensar na última vez que terei parado. Não sei, não me lembro nem quando, nem onde terei deixado o meu lado tão atento, tão preocupado, meigo até. E tive saudades de quando a minha vida ainda não era esta fábrica de produção em série e fabrico mecanizado de coisas e acontecimentos onde não há tempo para os pormenores.
E senti pena...

paula




Thursday, November 8, 2007

Wake-up cat...



Palmado à minha amiga rir e mar ;))

Wednesday, November 7, 2007

Quero...


Quero mil e uma coisas ao mesmo tempo...
e que o tempo se funda num Universo de sentidos...
e que os sentidos se movam e me apertem
num enternecedor abraço infinito...

paula

Saturday, November 3, 2007

Frases Irreais e absurdas ligadas por um fio condutor obsessivo:

O catdog desafiou e a paula aceitou
Seven Black Cats

1.Freneticamente sai de casa deixando tudo desligado, àgua, luz, janelas, porta trancada a sete chaves. Deixa lá dentro o cão, o gato, o peixe e o periquito sem perguntar a nenhum deles se vão ter alguma urgência durante o dia de ir à rua.
2.Freneticamente ultrapassa a todo o custo aquela infernal fila de trânsito, sempre pela direita e a fundo.É a mais esperta de todos, não fosse aquele sinal com a setinha branca de obrigatoriedade de virar à direita para quem circula naquela faixa.Olha fixamente para o policia que a está a observar, sai do carro, rasga a carta de condução aos bocadinhos e pisa o traço contínuo.
3.Chega atrasada ao escritório passa freneticamente por todos e não cumprimenta ninguém. Entra no seu gabinete a resmungar que são todos uma cambada de incompetentes, convencidos e mal educados, que não passam pívea a ninguém.
4.À hora de almoço não tem apetite, porque todo aquele stress deixa-a sem fome.São 13h e tem de ir almoçar porque todos vão e ninguém é mais do que ela. Pede no restaurante um prato que não vem na ementa. Fica ofendida e revoltada porque não a deixam ir para a cozinha confeccioná-lo.
5.De regresso a casa fica freneticamente histérica quando encontra o gato desfalecido a conter uma diarreia infernal (por ter bebido toda a àgua do aquário a acompanhar o peixe), o cão que deixou de ser castanho para passar a ser amarelo, porque hà três dias que não lhe perguntam se precisa de ir à rua e o periquito degolado numa aresta da gaiola por não ter suportado todo aquele stress. Os animais ainda por cima eram todos claustrofóbicos.


paula

Friday, November 2, 2007

Pudesse Eu



Pudesse eu não ter laços nem limites
Ó vida de mil faces transbordantes
Para poder responder aos teus convites
Suspensos na surpresa dos instantes!


Sophia de Mello Breyner Andresen