Tuesday, September 25, 2007


Tenho um amigo meu, que por acaso também é meu colega, com quem me reuni ontem para ultimarmos uns assuntos de trabalho e afins... de repente e no meio de uma vasta tralhada e trengada de papelada que já estava a dar connosco em doidos, olhou para mim, franziu o sobrolho e entre um sorriso malicioso disse: -"Andas muito melancólica, o teu blogue nada tem a ver contigo. Quem por lá passa fica com a impressão de que és uma pessoa muito triste e que andas em baixo..." Fiquei boquiaberta a olhar para ele. Não sou nada triste e também não acho que esteja em baixo de forma. E...desatei-me a rir!...-"Nada disso, simplesmente gosto de escrever sobre a vida, ou as coisas da vida...e há temas que são tristes por natureza, não há nada a fazer..."
Não sei se o convenci!?...

O que é certo é que a vida é isto mesmo, feita de altos e baixos e direi mesmo que cheia de coisas boas e menos boas. O segredo é esse mesmo...gozar as coisas boas e tentar remediar as piores. Eu tenho por lema aproveitar ao máximo todos os momentos bons (e tenho muitos felizmente) e tentar ultrapassar os outros da melhor forma possível. Os maus momentos ensinam-me a usufruir das mais valias que os melhores me trazem permitindo-me assim apreciá-los mais intensamente. Falar de sentimentos abre-me horizontes e ajuda-me a libertar emoções, pressões ou incertezas. Não vejo mal nenhum em fazê-lo! É bom!... Faz-me bem à alma e o que é também verdade, é que sinto que quando o faço, toco alguns assuntos que mexem não só comigo, mas também com pessoas que até são felizes, completas, sei lá...pelo menos mais felizes e completas do que eu.

Por isso, meu querido amigo e colega, não tens que te preocupar comigo, porque o meu real problema é só um...gostar de escrever sobre tudo!... Mas...põe-te a pau, porque qualquer dia ainda escrevo um texto sobre as nossas famosas e fatigantes odisseias profissionais e depois...depois vamos ver quem é que fica a pairar no limiar da melancolia...;)))


paula

Tuesday, September 18, 2007

zapping mental...


Tento adormecer e não consigo... simplesmente não consigo deixar de pensar. Penso nisto e neste, naquilo, naquele e aqueloutro, penso em tudo e não penso em nada. Os pensamentos caem soltos... acontecimentos, pessoas, músicas, coisas...enfim, preciso de deixar de pensar, mas não consigo.

Tento não pensar em conversas tidas, em situações vividas, na saudade de alguém... não consigo...e já não tenho sono.

Tento então deixar de pensar. Mas como? Talvez simplesmente tentando não pensar em nada... como se pensa em não pensar em nada?...ou... como não se pensa em não pensar em nada? É preciso estar a pensar em não pensar em nada!... E o nada, mesmo estando vazio de conteúdo, existe e dá que pensar!...Mas vou tentar...

"Não posso pensar em nada...estou simplesmente a pensar em nada...não penso em nada...penso que não penso em nada..."

Que cansativo!Que difícil! Que monótono!

Não há forma de pensar em nada...

Continuo sem conseguir e agora penso na real diferença entre não pensar em nada, ou simplesmente pensar em nada!?...Nada!!! Fico na mesma!

Vou tentar adormecer e pensar como é que será possível estar-se sem se estar a pensar em nada... e se descobrir digo, porque deve ser bom, de vez em quando estar... sem nada pensar.


paula

Monday, September 17, 2007

Apetece-me ficar no Verão...

(...)

Um dia baço mas não frio...
Um dia como
Se não tivesse paciência para ser dia,
E só num assomo,
Num ímpeto vazio
De dever, mas com ironia,
Se desse luz a um dia enfim
Igual a mim,
Ou então
Ao meu coração,
Um coração vazio,
Não de emoção
Mas de buscar, enfim -
Um coração baço mas não frio.


(...)

Fernando Pessoa

Hoje, quando acordei, senti o tempo... mesmo sem ter de abrir a janela do quarto.

O Verão ainda não acabou, mas eu senti que hoje, o sol estaria tímido ou mesmo envergonhado, o céu estaria acinzentado e adivinhei no rosto das pessoas, um semblante bem mais carregado...


Este ano, não me vai apetecer reparar no amarelar das folhas, nem ouvir o assobiar do vento, nem sentir a chuva miudínha...


Apetece-me ficar no Verão... e aviso já... antes que seja tarde!...


paula





Wednesday, September 5, 2007

BACK TO WORK!!!







Grunf!...Grunf!...Grunf!...

A semana passada por esta hora, estava eu a espreguiçar-me muito lentamente na cama, a escolher o biquini para esse dia e a pensar se iria directamente para a praia ou se esticaria primeiro o corpinho na piscina...o meu estado de espírito estava fantástico, tinham decorrido quatro semanas de férias e ainda me faltavam cinco dias para as esgotar. Mas isso não me preocupava nada...estava nas minhas sete quintas!!!

Gostava de saber quem é que inventou o trabalho!?...

Eu gosto de trabalhar, gosto principalmente do meu trabalho, tanto na sua vertente técnica, como relacional, mas...por amor de Deus...não me apetecia nada voltar, pelo menos agora, que estava tão embrenhada num "dolce far niente" total.

Todos os anos sinto qualquer coisa como isto. Sinto aquela difículdade em retomar os horários, as responsabilidades e as rotinas. Detesto rotinas!...acho-as monótonas e limitam-me a criatividade...Acho que acontece isto com todos, embora talvez isso importe mais a uns do que a outros, é claro.

Hoje de manhã tive de ir ao meu escritório e depois de passar pelo "detector de bronzes" e depois de ter ficado muito mal qualificada (não me importo nada, também detesto gente artificialmente castanha...) revi os meus queridos colegas e matei saudades!

Saudades príncipalmente da última vez que estivemos todos juntos, numa reunião que antecedia as tão famigeradas férias e em que ninguém conseguia disfarçar a enorme excitação.

Agora a realidade é outra...Planos de acção, coberturas, reunião de preparação disto, daquilo e de nada, reuniões de formação,formação disto, daquilo e de nada...Grunf...e isto é para fazer até final de que ano??? Por amor de Deus... é que não me apetece mesmo nada!

E então comecei a pensar o que aconteceria se por um acaso, deixassemos de ter de trabalhar. Não me refiro a todas as pessoas, mas pelo menos todas aquelas que padecem como eu, desta dificuldade de adaptação ao novo ano de trabalho.

Cheguei a uma brilhante conclusão. Aumentariamos assim a taxa de emprego em Portugal! Passaríamos a "activos indisponíveis" termo que não conheço, mas que é pelo menos o oposto do termo oficial "inactivos disponíveis"e que não é, nem mais nem menos,do que a designação para todos os individuos que estando desempregados e desejando trabalhar, também se encontram disponíveis para tal.

Senti vergonha...e apesar de já não ter 18 anos e de não me passar pela cabeça tentar mudar o mundo, ou mesmo de vir a ter qualquer tipo de influência neste país terceiro mundista, senti que não é justo que depois de quatro semanas e meia de férias e depois de voltar ao meu emprego por conta de outrem, mas com um vínculo "mais ou menos" permanente me sinta sem ânimo e com preguiça de trabalhar! E que muito menos é justo que depois de gozadas mais ou menos mordomias durante as férias, não me recorde agora de todos aqueles individuos que veem no seu dia a dia as suas vidas e familias ameaçadas na sua própria sobrevivência!

E aquela ociosidade de início de dia de repente desapareceu...
Quero trabalhar e quero MUITO!!!


paula

Saturday, September 1, 2007

this happy crazy life

Mas afinal...quem é que não quer ser Feliz? E a Felicidade... será que existe mesmo? Será como dizia Aristoteles, a maior meta do homem? Será o maior objectivo da vida? E porque será que é aquilo que todos procuramos? Mas será que os genes também contam?

Eu acho que a Felicidade, depende de quatro requisitos minímos!

Começo pela saúde física, nunca conheci nenhuma pessoa doente, que fosse Feliz. A saúde é sem dúvida o requisito mais influenciador da Felicidade. Mas...será que um doente terminal, ao ver ser-lhe alterado o seu prognóstico clínico e tendo com isso recuperado três ou quatro anos de vida (neste país tudo é possível) não se sentirá a pessoa mais Feliz?? Poderei então concluir que a Felicidade também se gere por um grau de intensidade... mas esta ideia, apesar de real, não me agrada! ou se é, ou não se é Feliz!

Outro requisito que é extremamente importante, é o da estabilidade emocional. Mas...para termos esta estabilidade temos mesmo de depender de alguém? Temos mesmo de estar ligados a alguém e essa pessoa tem de nos corresponder? Ora, hoje em dia, cada vez as relações são mais curtas, desprovidas de sentimentos profundos e muito menos estáveis...Será que então, até aqui, a Felicidade fica ameaçada?

O terceiro requisito, são as relações sociais. Estas dependem directamente das nossas capacidades de interagir e são bem mais fáceis de gerir. Criar amigos e mantê-los parece-me tarefa mais fácil que manter um casamento ou um namoro a médio ou longo prazo. Os amigos criam-nos uma Felicidade mais fácil, porque nada nos obriga a sermos amigos deles.

Por último, mas não menos importante vem a estabilidade miníma financeira. Mas...afinal o dinheiro, traz ou não traz a Felicidade??Será que esta frase tão conhecida e ao mesmo tempo tão ironizada pela sociedade tem afinal fundamento? Claro que sim! O dinheiro pode ser sem dúvida um excelente instrumento para criar a Felicidade. Mas... e o resto? Tudo aquilo de que falei? Claro que não!

A Felicidade é antes de mais, um estado de espírito... se se tiver estes quatro requisitos é bem possível que se consiga atingir um ponto de equilibrio. Não há magia que nos traga a Felicidade, mas...será que os nossos valores não são importantes também? Será que a Felicidade não é uma coisa que acontece sem querer quando fazemos ou atingimos as coisas que realmente valorizamos? E se começarmos a prestar mais atenção às coisas posítivas?

Não há formula magica! A Felicidade pode ser sim mensurável, como eu não gosto!...O doente que vê o seu prazo de vida dilatado, pode ser extremamente Feliz! Qualquer pessoa pode estar sozinha, mas Feliz, sem se ver obrigada a amar terceiros! As amizades são aquilo que fazemos com elas e quando são saudáveis, são naturalmente felizes! O dinheiro, não é tudo, mas traz muita Felicidade! Enfim...

Esta é actualmente a minha possível versão de Felicidade.

E afinal... quem é que não quer ser Feliz?...


paula

Hoje decidi começar a escrever...ainda não sei bem sobre que temas, para mim são todos aliciantes e como passo o tempo a divagar sobre as coisas, receio vir a fazê-lo aqui também. Depois desta minha decisão, dei comigo a pensar qual poderá ser a razão que leva alguém a querer fazê-lo...escrever sobre as coisas... Mas escrever o quê? E escrever sobre que coisas? Já toda a gente escreveu sobre elas. Haverá algo mais a acrescentar? Depois cheguei a algumas conclusões...
A primeira tem a ver com o meu estado de espírito, por isso pouco vou divagar sobre ela. Está directamente relacionada com a solidão. Mas que solidão?...A minha? A nossa? Aquela que nos custa mais? E SIM! Tenho a certeza que esta é a razão primordial de quem escreve nos dias de hoje. A solidão dos acompanhados... Aquela que mais magoa, aquela que reflecte bem aquilo que temos dificuldade em aceitar, em compreender. Porque nos sentimos nós sós quando estamos em contacto com as outras pessoas?... Porque não conseguimos comunicar com elas? Será culpa nossa, uma vez que todos se parecem dar tão bem uns com os outros?
A segunda razão, tem a ver com um amigo meu que tem um blog onde escreve deliciosamente. Ao lê-lo (li-o de rajada em três horas) senti uma inveja terrível (sentimento mais feio...) e confesso que fiquei tentada...muito tentada mesmo, a tornar-me assim como ele, uma pessoa mais complecta, mais viva.
A terceira, meu Deus... a terceira razão mexe demais comigo, com todo o meu corpo e poe-me a minha sensibilidade "à flor da pele": GOSTAR! Gostar de escrever!

Esta vai ser a partir de agora a minha razão princípal, a minha alternativa e fuga`a minha solidão tão acompanhada. Vou escrever por gosto! E decidi que vou falar de tudo, tudo mesmo! Mesmo sobre tudo aquilo que já foi escrito por todos... vou escrever melhor e pior que eles, com maior ou menor profundidade, mas vou FAZÊ-LO.
As outras razões são de ordem curriqueira e como tal, não lhes vou dar destaque.

Hoje, dia 1 de Setembro, tomei esta grande decisão! Deixar de divagar mentalmente sobre as coisas. Passar a registar!
E...estou a sorrir!...
Adoro quando isto me acontece...Como é possível que uma decisão tão "barata" possa ter tal influência em nós?!... como é que é possível que uma decisão tão simples, possa ser ao mesmo tempo tão gratificante?...
Continuo a sorrir...Já não me sinto tão solitária. E... onde estão os meus acompanhantes?... Acho que estão aqui...solitários como eu, ou talvez não...mas espero que neste momento também estejam a SORRIR!...


paula