Friday, December 28, 2007

Reflexões sentidas...e só!


É fantástica a nossa capacidade de regeneração. Quando o nosso afinal tão resistente corpo, sofre um pequeno golpe, ou corte, logo todas as defesas fisiológicas se unem, num verdadeiro processo de cicatrização, substituíndo as células lesadas, por novas, capazes de o deixar em condições de voltar a sofrer de outros golpes iguais... ou menores... ou até maiores.

A nossa mente funciona também assim. E apesar de não me passar pela cabeça fazer transparecer qualquer tipo de pretenção em poder parecer ser, com esta prosa, alguma expert na matéria, apeteceu-me dizer qualquer coisa sobre isto que sinto, acerca daquilo que vejo, e pela simples razão de tudo aquilo que já vivi , revivi, memorizei, apaguei ou esqueci, me dar, não direi o direito, mas sim a vontade de escrever sobre tal.

Depois de um trauma, um desgosto, uma perda ou mesmo uma simples desilusão, todos nós temos a capacidade de nos adaptarmos a essa súbita mudança. Fazêmo-lo através de vários factores externos ou internos, ajudas regenerativas clínica exógenas, ou simplesmente, através da endógena, que apesar de ser a mais "dura de roer" é por outro lado a mais credível e fidedigna, e que nos permite remar em sentido ascendente, ultrapassando assim todas as dores, desgostos, incertezas e afins...
Desde que entrei neste mundo virtual de que tanto gosto, que me tenho deparado com uma diversidade imensa de viveres e sentires e apesar do pouco tempo que infelizmente disponho para mais o explorar, tenho vindo a descobrir aqui, aquilo que na vida real nunca, em tempo algum, a maioria das pessoas que conheço, ou que mesmo hipotéticamente poderia conhecer, me iriam dar a conhecer.

Os blogues que visito, são os que para mim, mais interesses diversos me suscitam...viajo em mundos de criatividade, cultura e culturas, ideais ou reais, idealistas ou realistas... somente escolho os interessantes no seu conteúdo... mas alguns tristes ou menos felizes nas suas vivências.

E hoje, este meu post é para todos os blogues de que gosto, mas também para aqueles que mexem comigo e me deixam que pensar ... há blogues muito bem escritos, tanto na forma como no conteúdo, mas que transmitem uma tristeza que eu gostava de regenerar. E hoje, quase vésperas de Ano Novo e numa das minhas últimas vindas à Net de 2007, apeteceu-me dizer, a quem tiver a pachorra de me ouvir ou ler, que todo o nosso ser se regenera, se transforma, cria e modifica. E claro que o faço mesmo respeitando o facto de cada caso ser um caso individual, com as suas especificidades próprias... e sabendo também que fácil é para quem de fora vê, achar que tudo é possível e resolúvel.

Mesmo assim!... e sem nenhum remédio revigorante milagroso, que restitua o vigor, o prazer, ou a felicidade a quem agora não a sente...Mesmo assim!... quero desejar a todos os meus visitantes, amigos reais ou virtuais um Excelente Ano de 2008!!! E que se regenerem os menos felizes porque isto da vida ser dois dias, é mesmo verdade e mesmo para aqueles que sentem que já viveram o primeiro... que vivam o segundo, sabendo bem como fazê-lo!


Beijos para todos, porque aqui no meu blogue, os beijos são virtuais mas autênticos!...


paula

Friday, December 21, 2007

Poema de Natal


Para isso fomos feitos:
Para lembrar e ser lembrados
Para chorar e fazer chorar
Para enterrar os nossos mortos —
Por isso temos braços longos para os adeuses
Mãos para colher o que foi dado
Dedos para cavar a terra.
Assim será nossa vida:
Uma tarde sempre a esquecer
Uma estrela a se apagar na treva
Um caminho entre dois túmulos —
Por isso precisamos velar
Falar baixo, pisar leve, ver
A noite dormir em silêncio.
Não há muito o que dizer:
Uma canção sobre um berço
Um verso, talvez de amor
Uma prece por quem se vai —
Mas que essa hora não esqueça
E por ela os nossos corações
Se deixem, graves e simples.
Pois para isso fomos feitos:
Para a esperança no milagre
Para a participação da poesia
Para ver a face da morte —
De repente nunca mais esperaremos...
Hoje a noite é jovem; da morte, apenas
Nascemos, imensamente.


Vinicius de Moraes


David Fonseca - Adeus, Não Afastes os Teus Olhos dos Meus

Thursday, December 20, 2007

Sunday, December 16, 2007

Reflexões sentidas... e não só IV


Partir...

Passo o tempo a pensar em partir... e de cada vez que lá chego,
sinto o seu cheiro, vejo as suas formas, as luzes da sua noite,
o olhar impessoal de quem lá vive.

Voltarei um dia?...
Partirei?...

E de cada vez que a abandono, trago tudo isso comigo,
entranhado em cada pedacinho meu.

Sensação igual, só tenho quando regresso à minha casa
e lhe reconheço o cheiro, o calor e o aconchego.

Lisboa minha...


paula

Reflexões sentidas... e não só III

Sesta...

Todos nós, deslumbrados com os nossos sucessos, viciados nas nossas actividades, pouco valor damos ao tempo que temos...

Com este ritmo da vida moderna, mal nos apercebemos do tic-tac do relógio, que infelizmente marca as irremediáveis 24 horas. A grande maioria das coisas boas da vida passam-nos literalmente ao lado.

Eu hoje, domingo, resolvi dormir uma sestinha, da qual usufruí de um fantástico REM, coisa que, segundo os entendidos, me permite manter um certo equilíbrio mental, ajustado às minhas necessidades quer físicas, quer fisiológicas.

Hà países onde a sesta é um hábito! Em Espanha, por exemplo, os hábitos laborais são ajustados a esta magnífica pausa.

Nós por cá, temos a Associação Portuguesa dos Amigos da sesta (APAS) que tem sede no Alentejo, mas sócios por todo o território nacional.

Eu adoro a sesta!

Estou seriamente a pensar tornar-me sócia da APAS... isto claro, sem que os meus patrons sonhem... Não vão ter alguma fase REM mais violenta e estragarem-me a minha tão dolce vita...
paula

Sunday, December 9, 2007

Reflexões sentidas... e não só II

Hoje ri-me de mim...
Ri-me de mim quando a meio do duche vi reflectida no espelho a enorme crista que fiz
"sem querer" com os meus cabelos compridos, cheios de shampo.
Mas não é só aqui que me rio de mim...
Gosto de me rir de mim, quando me rio dos outros, sem que eles se apercebam...
ou quando os outros se riem de mim e pensam que não sei...
Rio-me de mim, quando julgo saber tudo, daquilo que não sei nada...
Rio-me de mim, quando penso que alcanço o inalcansável...
Rio-me de mim, quando às vezes digo o que não devo,
quando me engano nas letras das músicas...
e quando caio no meio da rua...

Rio-me de mim e pronto!...
Rio-me de mim...

paula

Reflexões sentidas... e não só I

Crescer...

O que nos faz crescer?
A vida, no passar dos anos?
O tempo cronológico marcado pelo relógio
e que teima em passar?...
Não!... Isso faz-nos envelhecer....

O que nos faz crescer são as experiências,
aquelas que nos ensinam e deixam marcas...

E faz-nos crescer o olhar triste e vazio de uma criança...
E faz-nos crescer a pobreza de espírito, a violência, o ódio, o sofrimento...
a derrota dos mais fracos...
E faz-nos crescer a saudade, o amor, a compaixão
e até o desejo...
de querermos, e já não termos,
a face de quem já amámos para beijar!...


paula

Tuesday, December 4, 2007

Pequenos Nadas...


A semana passada, senti mais do que nunca que a vida é mesmo feita de Pequenos Nadas. Vários, imensos... e bons!...

Desde hà seis anos, que a minha vida passa irremediavelmente numa média de duas semanas por mês na mesma portagem do nosso país. E foi precisamente hà seis anos que pela primeira vez perguntei a um portageiro qual o caminho para um determinado destino. No dia seguinte, perguntei a outro e a outro no que se seguiu... E como tinha sempre destinos diferentes, tinha sempre dúvidas e todos os dias precisava que me indicassem um caminho. Sempre muito simpáticos, os portageiros faziam-no da forma mais precisa que já conheci - " Siga em frente 6 km e corte à direita, na Nacional 1 vai andar aí uns 8 km até ao cruzamento, segue em frente...blá...blá...blá..."
Um regalo para o meu tão distraído sentido de orientação.

Já sabidos os caminhos de cor e salteado, as alternativas para umas breves trocas de palavras passaram a ser uma constante. Falávamos do tempo que fazia ou que deixava de fazer... do fim de semana que já tinha passado, ou que estava para começar...das boas Festas para o Natal e finais de Ano...etc, etc...

Esta semana que passou, tive então mais um Pequeno Nada com o último portageiro... o único dos três que ao fim destes anos ainda se mantém naquele posto de trabalho.

Paguei como sempre faço, com o cartão, e quando lhe perguntei pela filha pequenina, ele em vez de me devolver o cartão e o recibo, passou-me para as maõs uma fotografia de uma criança com um bibe de escola e com um sorriso igual ao do pai. Orgulhoso da filha, babado a olhos vistos, teve gosto em mostrar-me aquela fotografia, e ficou ali, a ouvir as minhas considerações com um sorriso estampado na cara, e o meu cartão e o recibo bem presos nas mãos...

O carro que me seguia, teve de esperar uns bons quatro minutos. Mais do que era habitual, mas valeu bem a pena! Quando segui viagem, reparei que não deixara de sorrir. E eu também... adorei aquele Pequeno Nada!

Nem nunca soube como o Sr. se chama. Provávelmente nunca lhe irei perguntar...O que é certo é que eu sempre soube e saberei que naquela portagem irá estar aquele sorriso, a acompanhar as primeiras palavras que ouvirei nessas manhãs. E o que também sei, é que a vida é isto mesmo... feita destes Pequenos Nadas!...e que eu gosto mesmo que assim seja!!!...

paula