Wednesday, February 17, 2010


Não se sabe como acontece, nem quando. Digo o desejo, que tudo arrasta, tudo envolve num aperto que asfixia. A vontade de anular todo o intervalo entre as coisas no ardor dos corpos, no misturar das linguas.
...
E, de repente, um pano de seda vermelho escuro cai esvoaçando sobre os corpos confundidos, tapando um braço, uma mão, uns cabelos negros, protegendo o sono dos audazes e o tempo, devagar, aos soluços, volta a tomar conta de tudo.

Pedro Paixão- (Asfixia)