Monday, June 29, 2009

Quente, morno, frio...

É aquilo que acontece a muita gente. Não me refiro a perderem as chaves de casa, do carro ou mesmo os óculos de sol, isso só acontece aos mais distraídos mesmo...mas estava a pensar nos papeis e em quem tem difículdades de relacionamento com os mesmos... eu tenho! e tenho mesmo!... e estava a pensar no que acontece quando procuramos aquilo que não encontramos. É como não sabermos onde deixámos um papel importante, lembrarmo-nos bem do seu aspecto visual e até termos uma ideia de o ter guardado bem algures...tão bem que por mais voltas que demos ás coisas, não o conseguimos encontrar. E logo corremos a abrir gavetas e mais gavetas. Não digo que o vamos procurar debaixo da cama ou em cima do sofá, porque isso só acontece aos mais desarrumados, mas sim em cima de três ou quatro montes de papeis iguais ou parecidos, ou dentro das cinco gavetas da secretária. E o que acontece é que cada vez que se abre uma... até conseguimos ver o tal papel, mas na verdade ele não está lá... o nosso desejo de o encontrar é que é tão grande que nos parece que o estamos sempre a ver, a encontrar...


Isto faz-me lembrar também o que acontece àquelas pessoas que por razões várias, conhecidas ou não, deixam de saber exactamente onde estão. Também reconhecem a sua imagem, olham-se a si próprias mas deixaram de repente de saber quem são. É como se subitamente elas próprias não se conseguissem encontrar. E estão lá... estão em todo o lado, mas não sabem bem onde, e principalmente, deixaram de saber para onde vão a seguir... E começam, não a procurar-se fisicamente, porque isso só acontece aos mais vaidosos, mas sim a tentar procurar os seus dotes, sentimentos ou pensamentos e eles não estão lá... perderam-se algures, em lugar desconhecido e agora também não aparecem em lado nenhum... e sempre que essas pessoas se tentam reencontrar, sentem que aquilo que foram, viveram, sentiram ou desejaram é agora uma miragem distante que até parece que nunca lhes pertenceu. Mas pertenceu! E quando tentam procurar nas gavetas, não conseguem descobrir e quanto mais procuram, menos encontram. Estão perdidas ...e quanto mais pensam que se encontram menos se reconhecem e mais perdidamente encontradas ficam...

Felizmente... o tal papel também acaba sempre por aparecer onde e quando menos se espera. Enfim...


paula

2 comments:

Unknown said...

´cheguei aqui através do comentário à foto da maufeitio...entre a poesia, as imagens e as considerações pessoais sobressai a qualidad de um blog com bom gosto e muita sensibilidad.
A seguir...

Anonymous said...

Também não és assim!!
Ricardo